Desde o ano passado o governo
federal selou acordo com entidades sindicais que definiu novas regras para
aposentadoria. O acordo, entretanto, depende, ainda, da aprovação no Congresso
Nacional. Com isso, muitos questionamentos foram levantados pela sociedade
acerca dos reais benefícios das novas normas.
Segundo o acordo, o
trabalhador que estiver a um ano de se aposentar só poderá ser demitido se o
empregador pagar salário dos doze meses, assim como a previdência devida no período.
Além disso, ficou estabelecido que o trabalhador que estiver recebendo
seguro-desemprego terá esse tempo contado para a aposentadoria, contudo, será
preciso arrecadar o INSS do período.
Outro ponto é o de que os
aposentados que recebem acima de um salário mínimo deverão ser beneficiados,
pois terão a aposentadoria reajustada de acordo com a inflação, o que significa
um ganho real equivalente a metade do aumento do PIB dos dois anos anteriores.
A medida, porém, somente será válida para os anos de 2010 e 2011 e elevará em
R$ 3 bilhões a folha do governo somente deste ano.
Se aprovadas as alterações, o
cálculo da aposentadoria sofrerá mudanças, o que deve beneficiar os
contribuintes que se aposentarem futuramente, já que ao invés de se contar 80%
dos maiores recolhimentos, passa a se contar 70%.
Por último, ficou estabelecido
o fator 85/95, que passa a somar a idade com o tempo de contribuição. Com isso,
as mulheres deverão atingir 85 para ter direito à aposentadoria, ou seja, antes
se exigia 30 anos de contribuição, neste caso, é o mesmo que dizer que a idade
mínima passou a ser de 55 anos. Com essa nova medida, os contribuintes passarão
a trabalhar mais, já que se a mulher, por exemplo, começar a trabalhar com 20
anos e tiver registro contínuo, terá de recolher 35 anos, no mínimo, para que
possa solicitar a aposentadoria. Para os homens a situação piora, já que a soma
do tempo de contribuição mais idade deve resultar em 95. Como antes era exigido
35 anos de contribuição é mesmo que determinar a idade mínima de 60 anos para o
homem. Diante do novo acordo, se o homem começar a trabalhar com 20 anos, com
registro contínuo, terá de recolher, no mínimo, por 40 anos.
Apesar de o tempo de contribuição
ter aumentado, o objetivo do governo deve ser o de manter o sistema previdenciário,
tendo em vista que vivemos em uma nova realidade em que a expectativa de vida
aumentou e da forma como estava dimensionado o sistema previdenciário
brasileiro, a tendência era de que seria inviabilizado, colocando em risco os
benefícios atuais e futuros.
Não se pode esquecer que o
Brasil possui um sistema previdenciário diferenciado dos Estados Unidos, por
exemplo, onde a maioria dos americanos, tanto funcionários públicos quanto os
da iniciativa privada, se aposenta somente aos 65 anos - aqui temos casos de
aposentadoria antes dos 50 anos.
Embora as regras
norte-americanas sejam mais rígidas, a Previdência Pública pode falir, segundo
expectativas da Social Security (Segurança Social), em 2018, já que o
envelhecimento da população e a diminuição do número de trabalhadores ativos
causarão um déficit estimado em US$ 25 bilhões ao sistema. Para se ter uma
ideia, daqui oito anos existirão, aproximadamente, 65 milhões de pensionistas e
o desembolso do governo chegará a quase US$ 1,2 trilhão.
Resta claro, que a tentativa
do governo brasileiro é a de preservar o sistema previdenciário. Todavia, as
novas regras beneficiam os atuais inativos e aumenta os atuais gastos com a
folha de pagamento. A grande dúvida é por quanto tempo as novas regras poderão
realmente garantir a manutenção da Previdência Pública?