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CRÔNICAS FORENSES A Injeção do Criminalista

03/05/2013 por Roberto Delmanto

Quando adolescente, em um mês de julho, fui com meus pais e irmãos a Bariloche.

 

Nos hospedamos no Hotel Três Reis, no centro da cidade, bonito e aconchegante. No mesmo hotel, entre outros brasileiros, estavam um conhecido comerciante de automóveis que antes exercera a medicina e sua família, e um jovem casal em viagem de núpcias.

 

A paisagem era belíssima, com as casas cobertas pela neve, mas fazia, é lógico, muito frio.

 

Certo dia, o recém-casado pegou uma forte gripe, apresentando febre alta. Como o clínico chamado pelo hotel demorasse a chegar e sua esposa estivesse muito aflita, o comerciante, que ainda não se esquecera da arte médica que por anos praticara e, por isso, levava consigo nas viagens um completo suprimento de remédios, resolveu aplicar no moço uma injeção. O resultado foi ótimo e já no dia seguinte ele estava sem febre, para alívio da jovem esposa.

 

O comerciante-médico e meu pai Dante, advogado criminal, guardavam certa semelhança física: tez clara, estatura e peso médios, calvice acentuada e tinham, então, por volta de cinquenta anos.

 

O recém-casado, com a lucidez um tanto afetada pela febre, se confundiu, achando que quem lhe deu a salvadora injeção foi meu pai, e não o comerciante-médico.

 

Passadas cerca de cinco décadas, o jovem, de quem me tornei amigo, hoje com setenta e poucos anos e feliz com a mesma mulher, continua jurando de pés juntos que quem lhe aplicou a injeção foi meu pai. Coisa que este, como criminalista , jamais soube ou imaginou fazer; e que, se porventura um dia tivesse feito, teria sido algo absolutamente temerário, muito próximo de um dolo eventual...

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ROBERTO DELMANTO

Roberto Delmanto

Advogado criminal, é autor dos livros Código Penal Comentado, Leis Penais Especiais Comentadas,
A Antessala da Esperança, Causos Criminais e Momentos de Paraíso - memórias de um criminalista, os três primeiros pela Saraiva e os demais pela Renovar.

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