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CRÔNICAS FORENSES A inventora do mensalão

05/11/2012 por Roberto Delmanto

 Ao contrário do que muitos pensam, o mensalão não foi inventado em Minas Gerais ou em Brasília, mas em uma pequena cidade do Centro-Oeste.

 

Embora de instrução primária, a dona de casa era uma pessoa muito idealista e generosa, sempre preocupada com os problemas sociais da comunidade. Por sua atuação, foi ficando popular no bairro em que residia e, depois, em todo o município. Acabou sendo eleita prefeita.

 

Logo no início do mandato, todavia, passou a ter dificuldades com a Câmara de Vereadores. Seus projetos, sempre objetivando a melhoria de vida da população, sobretudo dos mais carentes, eram rejeitados ou “engavetados”.

 

Teve, então, a idéia de agradar os vereadores: empregou na Prefeitura a esposa de um e a prima de outro, a um terceiro emprestou um carro da municipalidade e a mais alguns passou a dar uma “mesada”...

Denunciada ao promotor da comarca, após um inquérito policial, foi processada criminalmente.

 

Ao contrário do mensalão brasiliense, não houve pressão da opinião pública para sua condenação, muito menos a penas elevadas e em regime inicial fechado.

 

Condenada a uma pena inferior a quatro anos de reclusão, foi esta convertida em prestação de serviços. Confirmada a sentença pelo Tribunal de Justiça e transitada em julgado a decisão, passou a prestar serviços em uma creche da cidade vizinha.

 

Cumpriu a pena integralmente, não faltando um só dia. E, terminada esta, continuou a colaborar espontaneamente com a instituição, onde tornou-se respeitada e estimada.

 

Abandonou de vez a vida pública, sem saber que, na verdade, fora a inventora do “mensalão” (no seu caso um “mensalinho”) que, mais tarde, se transformaria em grande escândalo político e um dos maiores processos criminais da história do Judiciário brasileiro...   

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ROBERTO DELMANTO

Roberto Delmanto

Advogado criminal, é autor dos livros Código Penal Comentado, Leis Penais Especiais Comentadas,
A Antessala da Esperança, Causos Criminais e Momentos de Paraíso - memórias de um criminalista, os três primeiros pela Saraiva e os demais pela Renovar.

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