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OPINIÃO A quarta revolução industrial no brasil

 

No último dia 21 de janeiro de 2018, a Folha de S. Paulo divulgou importante trabalho assinado pela jornalista Fernanda Perrin. Transcrevo tópicos dessa matéria, que dá muito o que pensar:

 

“As transformações do mercado de trabalho (...) ganharam lugar de destaque na agenda do Fórum Econômico Mundial (...). Só no Brasil, 15,7 milhões de trabalhadores serão afetados pela automação até 2030, segundo estimativa da consultoria McKinsey. (...) No mundo, no período entre 2015 e 2020, o Fórum Econômico Mundial prevê a perda de 7,1 milhões de empregos. A avaliação de especialistas da área é que o mercado de trabalho passa por uma grande reestruturação, semelhante à revolução industrial”.

 

Esta é a quarta revolução industrial, como a denominou a jornalista Cida Damasco, de O Estado de S. Paulo, na nota “Procura-se trabalho”, na edição de 29 de janeiro de 2018, Caderno Economia, B8. Assim também a citou o jornal O Estado de S. Paulo, no editoral de 14 de fevereiro de 2018 (O desafio da Tecnologia). No mesmo sentido de a quantificar como Quarta Revolução Industrial, vide “Não matem a indústria”, comentário de Robson Braga de Andrade, na Veja, edição 2569, de 14 de fevereiro de 2018, p. 63, que a considera “em curso”.

 

Essa verdadeira revolução na cadeia de produção das empresas, cujos efeitos já estamos sentindo, tem consequências. Algumas delas são positivas, outras negativas e altamente preocupantes. E prossegue a matéria da jornalista Fernanda Perrin:

 

“A diferença é que agora tudo acontece muito mais rápido.”

 

Em passado recente, para eu, que resido a 400 klm de São Paulo, onde fica meu escritório, mandar uma mensagem e receber a resposta, levava horas e horas. Hoje, a resposta não demora mais do que poucos minutos. Em alguns casos, não leva mais do que 2 minutos.

 

E prossegue Fernanda Perrin: “no mundo, desde 2010, o número de robôs industriais cresce a uma taxa de 9% ao ano, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT). No Brasil, cerca de 11.900 robôs industriais serão comercializados entre 2015 e 2020, segundo a Federação Internacional de Robótica. (...) No plano internacionl, entre 400 milhões e 800 milhões de pessoas serão afetadas pela automação até 2030, a depender do ritmo de avanço tecnológico, segundo a McKinsey. Isso equivale a algo entre 11% e 23% da população economicamente ativa global, calculada pela OIT em 3,5 bilhões de pessoas. Isso não significa que todos perderão o emprego, mas que serão impactados em algum grau, que vai de desemprego a ter um "cobot" (colega de trabalho robô, com quem divide as funções).

 

A mudança é positiva na medida em que libera profissionais de tarefas monótonas, que, por sua vez, podem ser feitas com maior rapidez e eficiência quando automatizadas. (...) O Fórum Econômico Mundial projeta um aumento na demanda nas áreas de arquitetura, engenharia, computação e matemática, entre outras. Esse incremento de vagas, contudo, não será suficiente para absorver quem perdeu o trabalho em outros setores, além de exigirem alta qualificação, avalia a organização. (...) O fim de funções hoje exercidas pela população de baixa e média renda vai gerar desemprego e pressionar para baixo o salário das que restarem.” E acrecentamos: no Brasil, é o que já está acontecendo com as ocupações de pedreiro, gerente de supermercado e motorista particular, dentre outros casos.

 

Esses prognósticos são, sem dúvida, baseados em estatísticas aproximativas. Comportam margem de incerteza e podem até ser um tanto precipitadas ou exageradas nos seus resultados. Mas que, em qualquer caso, têm pelo menos uma grande parcela de verdade; isso ninguém pode negar. O quadro de desemprego, para o qual apontam esses prognósticos, é assustador, com implicações políticas, econômicas e sociais de incalculável gravidade.

 

No Brasil, postas as circunstâncias atuais, o crescimento dos índices de desemprego gerará mais pobreza e isso terá reflexo direto sobre a economia. No momento, estudo da LCA, com informações do IBGE, demonstram que só nos últimos dois anos 700 000 diplomados foram para atividades laborais sem carteira assinada, como assinala Bianca Alvarenga (“Pedalada no desemprego”, em Veja, edição 2569, de 14 de fevereiro de 2018, p. 55). Farão falta no futuro.

 

E há fatores que preocupam:

- O Brasil pouca importância dá Automação:

 

Em relação a ela, demodo geral,vivemos ainda no periodo anterior à Primeira Revolução Industrial.

 

- O Brasil é lento para regulamentar inovações:

 

Como diz Luciana Dyniewicz, “91% dos executivos brasileiros não acreditam na capacidade de o governo acompanhar com leis as inovações, quando a média mundial é de 68%” (“O Brasil é lento para regulamentar inovações”, O Estado de S. Paulo, 13 de fevereiro de 2018, Caderno B3). Significa que o Congresso Nacional brasileiro não consegue produzir leis acompanhando o surgimento de inovações na economia. Não produzimos leis que favorecem as inovações.

 

- Nosso desemprego cresce a cada dia.

 

Do ponto de vista jurídico, também há o que ponderar. A área do Direito não deixará de ser afetada. Imagine o que acontecerá no setor do Direito do Trabalho. No comentário “Automação vai mudar a carreira de 16 milhões de brasileiros até 2030”, Fernanda Perrin inclui o Direito no grupo de atividades que perderão milhões de empregos (Folha de S. Paulo, 21 de janeiro de 2018, Caderno Mercado, A17).

 

Quanto à criminalidade, ela perdurará acompanhando a nossa omissão em termos de planos eficientes de prevenção.

 

A situação exige providências imediatas na economia em face da Quarta Revolução Industrial. Sem elas, nosso país perderá primeiro a competição interna; depois, a internacional.

 

Há que abrir os olhos para a realidade, enquanto é tempo. Amanhã, poderá ser tarde demais.

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DAMÁSIO EVANGELISTA DE JESUS

Damásio Evangelista de Jesus

Advogado, Professor de Direito Penal, Presidente do Complexo Jurídico Damásio de Jesus e Diretor-Geral da Faculdade de Direito Damásio de Jesus. Autor da Editora Saraiva.

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