Página Inicial   >   Colunas

CRÔNICAS FORENSES ESPECIAR DE BOM

05/03/2018 por Roberto Delmanto

 

                  Até a invenção do automóvel, no final do século retrasado, e da construção da primeira linha de montagem por Henry Ford, em 1905, o cavalo era o único meio de transporte de reis, rainhas, príncipes, princesas, nobres, bispos, guerreiros, magistrados e... advogados.

 

                  Como membro da advocacia, que Voltaire considerava a mais bela das profissões (le plus bel état du monde), amo esses magníficos animais, cavalgando-os há cerca de sessenta anos em Campos do Jordão.

                  O primeiro que comprei foi um belo potro tordilho da raça mangalarga paulista, de nome Cipó. Meu caseiro da época, pessoa boa mas muito simplória, se auto-apelidava Django, herói do faroeste norte-americano, mas, na cidade, tinha o apelido de Cantinflas, famoso cômico do cinema mexicano que usava calças de cintura bem mais baixa do que o normal. Quando queria dizer que algo era ótimo, falava que era especiar de bom. Sem experiência com cavalos, de tanto alimentar o potro acabou por provocar-lhe uma cólica que o levou à morte.

 

                  Um segundo cavalo especial que tive foi um pampa de castanho chamado Escoteiro, cuja marcha batida era excepcional. Por duas vezes fugiu, sendo encontrado no outro extremo do município, onde nascera.

 

                  O terceiro foi um mestiço de quarto de milha da linhagem de corrida chamado Onix. De pelagem negra reluzente, tinha um galope maravilhoso. Mas sua maior característica era a inteligência. Com o focinho conseguia abrir a torneira do bebedouro. Quando, com outros cavalos, se alimentava no cocho, em dado momento passava a pisotear fortemente e corria para o pasto, despertando a atenção dos demais, que o seguiam. Depois de algum tempo, voltava disfarçadamente ao cocho e comia a ração de todos.

 

                  Atualmente, possuo apenas duas éguas. Uma delas, linda tordilha que aos oito anos se tornou totalmente branca, mangalarga marchadora mineira, cujo andar macio e cadenciado supera o de qualquer outra raça, me foi presenteada pelo amigo Marcelo Baptista de Oliveira, um dos maiores e melhores criadores brasileiros. Retratando sua demonstração de amizade, ela por coincidência, se chama Querência, que, nos pampas gaúchos, quer dizer “querer bem”.E cavalgá-la nos campos e montanhas, continua sendo para mim especiar de bom...

 

Comentários

BEM-VINDO À CARTA FORENSE | LOG IN
E-MAIL:
SENHA: OK esqueceu?

ROBERTO DELMANTO

Roberto Delmanto

Advogado criminal, é autor dos livros Código Penal Comentado, Leis Penais Especiais Comentadas, O Gesto e o Quadro, A Antessala da Esperança, Momentos de Paraíso-memórias de um criminalista e Causos Criminais, os quatro primeiros pela Saraiva e os demais pela Renovar”

NEWSLETTER

Receba nossas novidades

© 2001-2018 - Jornal Carta Forense, São Paulo

tel: (11) 3045-8488 e-mail: contato@cartaforense.com.br