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Crônicas Forenses O CINEMA E O JÚRI

01/08/2018 por Roberto Delmanto

 

Alguns filmes que tratam dos julgamentos populares são extraordinários.

 

Lembro-me, entre eles, de Testemunha de Acusação, dirigido por Billy Wilder e interpretado por Charles Laughton, Tyrone Power e Marlene Dietrich. Laughton é um veterano advogado cardíaco, proibido por seu médico de participar de júris. Desobedecendo a ordem, aceita defender Tyrone, acusado do homicídio de uma velha senhora de quem era herdeiro.

 

Sua atuação memorável, sua experiência e perspicácia são uma verdadeira aula para os que pretendem advogar no Tribunal Popular. Com um primoroso blefe, desmonta a principal testemunha da promotoria. E o final é surpreendente.

 

Imperdível, também, a primeira versão do Julgamento de Nuremberg, no qual, após a 2ª Guerra Mundial, chefes nazistas são acusados. Um deles é o ex-Ministro da Justiça, interpretado pelo ator norte-americano Burt Lancaster, para cuja defesa é nomeado um jovem advogado alemão, representado por Maximilian Schell, que foi seu aluno na Faculdade de Direito e lhe devotava grande admiração.

 

Na inquirição de uma testemunha de acusação, o defensor, com enorme habilidade, vai literalmente destruindo a depoente, uma mulher que teria sofrido abusos. Em dado momento, o ex-Ministro interrompe o advogado, dizendo que não admitia que usasse, em sua defesa, os mesmos métodos que ele permitira fossem usados durante o nazismo. O juiz presidente, interpretado por Spencer Tracy, interrompe o julgamento.

 

Quando este recomeça, pensamos que nada resta ao advogado fazer. É quando ele, premido pelas circunstâncias totalmente adversas, revela todo seu talento. Mudando totalmente sua argumentação, passa a sustentar, de forma magnífica, que a responsabilidade pelas atrocidades ocorridas não foi só de seu cliente, mas também de todo o povo alemão.

 

As atuações de Laughton e Maximilian mostram o altíssimo nível a que defensores podem chegar e os dois filmes devem ser vistos por todos os que amam o júri, a mais emocionante e democrática das instituições judiciárias.

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ROBERTO DELMANTO

Roberto Delmanto

Advogado criminal, é autor dos livros Código Penal Comentado, Leis Penais Especiais Comentadas,
A Antessala da Esperança, Causos Criminais e Momentos de Paraíso - memórias de um criminalista, os três primeiros pela Saraiva e os demais pela Renovar.

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