Página Inicial   >   Colunas

CRÔNICAS FORENSES O doleiro amigo

03/06/2013 por Roberto Delmanto

 

O empresário, ao tentar embarcar para o exterior com uma quantidade de dólares superior a legalmente permitida, acabou preso em flagrante, por tentativa de evasão de divisas.

 

Após alguns dias, foi-lhe concedida liberdade provisória mediante fiança judicial.

 

Denunciado pela Procuradoria da República e recebida a inicial, designou-se seu interrogatório, que, à época, era realizado em primeiro lugar.

 

Durante o ato, o empresário, por mim defendido, invocou em sua defesa o chamado erro de proibição, que isenta de pena o erro sobre a ilicitude do fato, quando inevitável, e a diminui, se evitável. Alegou que, com as constantes alterações feitas pelo Banco Central, pensava que não precisasse declarar a quantia que portava.

 

Indagado onde adquirira os dólares, esclareceu que os comprara de um doleiro seu amigo. O juiz perguntou-lhe qual o nome desse doleiro, ao que o cliente respondeu que preferia não decliná-lo, por temer represálias à sua família e a si próprio.

 

O magistrado insistiu em saber o nome do doleiro, questionando o empresário o porquê de sua atitude, já que, segundo dissera, o tal doleiro era seu amigo.

 

Foi aí que o cliente, com absoluta espontaneidade, respondeu: “É que, V. Exa. sabe, doleiro, amigo... amigo, nunca é”.

 

Ante a pitoresca, mas autêntica resposta, o juiz mandou consigná-la entre aspas e, não mais insistindo no assunto, determinou o encerramento do interrogatório...

Comentários

BEM-VINDO À CARTA FORENSE | LOG IN
E-MAIL:
SENHA: OK esqueceu?

ROBERTO DELMANTO

Roberto Delmanto

Advogado criminal, é autor dos livros Código Penal Comentado, Leis Penais Especiais Comentadas,
A Antessala da Esperança, Causos Criminais e Momentos de Paraíso - memórias de um criminalista, os três primeiros pela Saraiva e os demais pela Renovar.

NEWSLETTER

Receba nossas novidades

© 2001-2018 - Jornal Carta Forense, São Paulo

tel: (11) 3045-8488 e-mail: contato@cartaforense.com.br