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AÇÃO DECLARATORIA

Por SAMUEL DE SOUZA RODRIGUES E MARCOS AURELIO DAVILA

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EXCELENTISSIMO.SR. DOUTOR.
JUIZ DE DIREITO DA VARA CIVEL DESTA COMARCA

















CONSTRUTORA AZENHA LTDA., pessoa jurídica de direito privado, devidamente inscrita no CGC/MF sob o nº 078.720.372/0001-80, com sede à R. Abel da Silva Almeida nº 11, Vila Isabel - Curitiba/PR, vem à presença deste Ilustre magistrado, por intermédio de seus procuradores que esta subscrevem, com endereço profissional impresso ao pé da página, propor


AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXIGIBILIDADE DE TITULO EXTRA JUDICIAL -








Contra: RIO SÃO FRANCISCO COMPANHIA SECURIZADORA DE CRÉDITOS FINANCEIROS, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ/MF sob o nr 04.184.667/0001-42, com sede na Rua Emiliano Perneta nr 297- 22 andar - Centro- Curitiba-Paraná;

COMPANHIA SECURIZADORA DE CRÉDITOS FINANCEIROS, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nr. 04.141.868/0001-62, com sede na Comarca de São Paulo, á Av. Brigadeiro Faria Lima 1461 -2ª andar;, na pessoa de seu representante legal; pelo que passa a expor:




DA RESENHA FÁTICA





1. Em data de 15 de março de 1999, os Autores realizarão a adesão ao Contrato de Empréstimo em conta corrente (doc 02), com o BANCO DO ESTADO DO PARANÁ.




2. Fundamentado nesse contrato, o BANCO DO ESTADO DO PARANÁ S/A moveu ação de Execução de Titulo Extra Judicial tomada sob o nr: 33732/00 , junto a 4 Vara da Fazenda Publica desta Capital.
3. Apresentaram os Autores Embargos a Execução. Autuado sob o nr:35.137,os quais foram julgados em primeira e segunda instancias.
4. No tramite do processo de execução, a segunda Requerida, postulou pela substituição processual tendo em vista sua qualidade de cessionária, ao final não fora aceita a substituição processual, postulou pela assistência a qual foi deferida


No dia 30 de Julho de 2.001, os Autores receberam três " notificações" via correio, ( docs. 04-05-06) da empresa Requerida, no sentido de constituir em " mora solvendi" os Autores, para que no prazo de (03) três dias efetuarem o pagamento do valor de R$ 532.027,14 ( Quinhentos e Trinta e Dois Mil, Vinte e Sete Reais e Quatorze Centavos), representado pelo saldo devedor atualizado até 18/07/2001, decorrente de contrato ( Instrumento Particular de Confissão de Divida, forma de Pagamento e Outras Avenças e anexo 1.865.247-4) celebrado entre o Banco do Estado do Paraná S/a e V.Sª em 15/07/1.998 com ensejo de imediata propositura das medidas judiciais cabíveis.


2. Nas próprias notificações, identificou-se a Requerida como cessionária, in verbis:


Atenciosamente
RIO PARANÁ COMPANHIA SECURITIZADORA DE CRÉDITOS FINANCEIROS- Cessionária do Crédito da presente operação pelo Banco do Estado do Paraná S/ª.


3. Após o recebimento das aludidas notificações, os Autores entraram em contato com a Requerida, no sentido de obter mais informações, no sentido de saber qual a correção do dinheiro, juros, e de que forma ocorreu a cessão de crédito.


4. Os Autores foram informados que a cessão de créditos ocorreu sem que fossem notificados, enviando um "fax" relativo a cessão de créditos registrada no Cartório de Títulos e Documentos do 2 oficio, bem como seus nomes foram incluídos junto aos órgãos de proteção ao crédito ( doc 07).

5. Dirigiram-se até uma empresa amiga, e solicitaram uma consulta junto ao SERASA, ( doc. 08.09.10), onde apareceram as seguintes restrições determinadas pela Requerida:

2 Pendências: Refin Autorizado Dez 98-Jan 99 R$ 278.478,89
R$ 6.534,15


6.Analisando o Termo de Cessão de Créditos , ( doc 07), podemos asseverar que tais créditos foram cedidos em 28 de Dezembro de 2000 e 09 de Janeiro de 2001, mas note-se que a Autora já incluiu no cadastro do SERASA a malsinada restrição, em 29/01/1999, mesmo sem ter ainda adquirido os referidos créditos.


7. Tal fato elucida-se, pelas Três notificações via cartório de títulos e documentos, ( doc. 11-12-13-), enviadas pelo Banco do Estado do Paraná S/a, em 17 de Dezembro de 1.998, com escopo de constituir em " mora solvendi" os Autores pelo valor de R$ 6.349,27 ( Seis Mil, trezentos e quarenta e nove reais e vinte e sete centavos), tendo como valor responsabilidade total de R$ 265.784, 63 ( Duzentos e Sessenta e Cinco mil, Setecentos e Oitenta e Quatro Reais e Sessenta e três centavos.


8. Mesmos constituídos em "mora solventi", o Banco do Estado do Paraná S/A , não moveu quaisquer ação judicial contra os Autores, ( certidões do fórum distribuidores - 14-15-16-17-18-19-20-21), mas realizou a malsinada cessão de créditos sem a devida notificação.

9.Ora, os Autores não podem serem constituídos em " mora solvendi" por duas (02) duas vezes, decorrente do mesmo negócio jurídico.

10.No mesmo sentido os Autores não foram " notificados" quando da realização da Cessão de Crédito entre o Requerido e o Banco do Estado do Paraná S/ª.


11. Neste diapasão pela falta de notificação, não existe relação jurídica entre a Requerida e os Autores, face a não ciência do ato jurídico realizado.

12. Conforme a inteligência do artigo 1.069 do Código Civil Brasileiro a presente Cessão de Crédito não vale contra os Autores, in verbis:

Art. 1069. A cessão de crédito não vale em relação ao devedor, senão quando a este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou particular, se ciente da cessão feita.

57139871 - AGRAVO. DECISÃO QUE NEGA SEGUIMENTO AO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TUTELA ANTECIPADA. PRESENCA DOS REQUISITOS. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO DE CESSÃO DE CRÉDITO. Art. 290 do codigo civil. Recurso improvido. 1) presentes os requisitos do art. 273, nao ha que falar-se em indeferimento da tutela antecipada. 2) consubstancia-se a notificacao do devedor em imperativo de ordem legal na cessao de direitos creditorios, sendo que sua inobservancia acarreta na ausencia de validade da cessao de credito efetuada perante o devedor nao notificado. (TJPR; Rec. 172122-2/01; Ac. 528; Curitiba; Nona Câmara Cível; Rel. Des. Miguel Pessoa; Julg. 31/03/2005) (Publicado no DVD Magister nº 17 - Repositório Autorizado do TST nº 31/2007)

TJSC. Cessão de crédito. Notificação. Qualidade para efetuá-la. Art. 290 do CC/2002. É elucidativo o escólio de Carlos Roberto Gonçalves: Qualquer dos intervenientes, cessionário ou cedente, tem qualidade para efetuar a notificação, que pode ser judicial ou extrajudicial. Mas o maior interessado é o cessionário, pois o devedor ficará desobrigado se, antes de ter conhecimento da cessão, pagar ao credor primitivo (CC, art. 292). Se não foi notificado, a cessão é inexistente para ele, e válido se tornará o pagamento feito ao cedente. (In, Direito das obrigações: parte geral. 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2006 - Coleção Sinopses Jurídicas; v. 5. p. 54). Sessão do dia 14 de julho de 2009.

APELAÇÃO CÍVEL Nº 11326-2009 - AÇAILÂNDIA.
Apelante : Credival - Participações, Administração e Assessoria LTDA.
Advogados : Bruno Caldas Siqueira Freire e outros.
Apelado : Cikel Comércio e Indústria Keila S/A.
Advogados : Tamir Buhatem Maluf e outro.
Procuradora : Dra. Clodenilza Ribeiro Ferreira.
Relator : Des. Antonio Guerreiro Júnior.
Revisora : Desª. Nelma Sarney Costa.

ACÓRDÃO Nº 83.452/2009

E M E N T A
CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO. CESSÃO DE CRÉDITO. AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO. CONHECIMENTO PELO DEVEDOR. ANUÊNCIA NECESSÁRIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA TRANSFERÊNCIA DO CRÉDITO EXECUTADO. ILEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM.
I - Diante da falta de comprovação de que o contrato que embasa a execução teria sido objeto de sub-rogação convencional ocorrida entre as instituições financeiras e ante a falta de notificação do devedor acerca da cessão, nos termos do art. 290 do CC, há de ser reconhecida a ilegitimidade ativa ad causam da parte que se intitula credora.
II - Recurso não provido.

No pacto, consta apenas de forma genérica, quais os créditos que o cedente HSBC seria titular, vez que faz referência apenas aos contratos BBB que estariam indicados nos ANEXOS I e II, os quais não foram colacionados aos autos.
Assim, pela inexistência de comprovação da cessão de crédito entre o HSBC e a apelante e do documento que comprove a ciência do apelado em relação à cessão, entendo que agiu com acerto o magistrado de base ao reconhecer a ilegitimidade ativa da apelante para figurar no feito.
Destarte, não há como se inferir dos documentos colacionados aos autos se o contato de abertura de crédito fixo firmado entre a apelada e o extinto Banco Bamerindus S/A cuja titularidade foi repassada ao HSBC, foi sub-rogado à apelante através do instrumento de cessão.
Destaco ainda que além da ausência de comprovação do cumprimento da cláusula contratual de notificação da apelada, não consta também nos autos documento que ateste a qualidade de cessionária do crédito pela instituição financeira apelante.

ciente da cessão feita.

12. Podemos asseverar por qual motivo os Autores não foram notificados, bastando conferir o valor cobrado das notificações realizadas pela Requerida, ( docs. 04-05-06) que é de R$ 532.027,14 ( Quinhentos e Trinta e dois mil, vinte e sete reais e quatorze centavos), confrontando com o valor da notificação realizada pelo Banco do Estado do Paraná S/a, ( docs. 11-12-13) que é notifica o valor de R$ 6.349,27 ( Seis mil, trezentos e quarenta e nove reais e vinte e sete centavos), mas que ao final informa o valor da responsabilidade total de R$ 265.784, 63 ( Duzentos e Sessenta e Cinco Mil, Setecentos e Oitenta e Quatro Reais e Sessenta e Três centavos), portanto a diferença é de:
R$ 532,027,14
R$ 265,784,63
_______________

R$ 266.245,51

13. Os Autores poderiam opor-se a referida cessão, conforme determina o artigo 1.072 do CCB, in verbis:

Art. 1072. O devedor pode opor tanto ao cessionário como ao cedente as exceções que lhe competirem no momento em que tiver conhecimento da cessão; mas, não pode opor ao cessionário de boa-fé a simulação do cedente.


14. In casu, os Autores não aceitariam os abusivos valores cobrados pelo Requerido, em uma dívida que praticamente dobrou, ora isso caracteriza enriquecimento ilícito.
DA DOUTRINA

1. Maria Helena Diniz, "in" "Tratado Teórico e Prático dos Contratos", pág. 138, ensina que o cedido deve ser notificado, embora não participe da cessão de crédito, após essas considerações e em enumerando os requisitos da cessão de crédito (pág. 140), ensina que a lei prescreve, em relação ao cedido, o requisito na notificação.

2. Orlando Gomes, "in" "Contratos", Editora Forense, ano 1986, pág. 166, ensina que a cessão de crédito pode ser própria e imprópria, sendo que naquela o "concurso dessas três vontades é tão necessário que alguns vêem na cessão novo contrato", acrescentando que o cedido deve assentir na substituição.

3. Carvalho Santos, "in" "Código Civil Brasileiro Interpretado", 10ª edição, pela Editora Freitas Bastos ensina que "para que possa prevalecer, é imprescindível que o devedor dos títulos caucionados fique conhecendo a existência da caução, e, pois, dessa cessão.".

II.DA JURISPRUDÊNCIA

1. A Sétima Câmara Tribunal de Alçada Civil, por votação unânime proferiu acórdão, no sentido de ser necessária a notificação do devedor no caso de cessão de crédito, cuja ementa é a seguinte: Cambial-Duplicata-Endosso Caução-Falta de notificação do estabelecimento bancário ao sacado-Arts. 792, II e 795 do CC - Declaratória de inexistência de relação jurídica procedente - Recurso desprovido.

15. A jurisprudência diz:

- CESSÃO - TRANSAÇÃO - CÓDIGO CIVIL, ARTIGOS 1.069 E 1.071 - A falta de notificação ao devedor de que houve cessão conduz a que essa não lhe seja oponível, sendo válido e eficaz o pagamento que efetuar ao cedente, primitivo credor. O mesmo, entretanto, não ocorre com a transação. (STJ - RESP 235642 - (199900965264) - SP - 3ª T. - Rel. Min. Eduardo Ribeiro - DJU 19.06.2000 - p. 00144).

CESSÃO DE CRÉDITO - INTELIGÊNCIA DO ART. 1069 DO CÓDIGO CIVIL - Necessidade de notificação. Ilegitimidade ativa ad causam reconhecida por falta de notificação. Agravo provido. (TJRS - AI 197219827 - RS - 7ª C.Cív. - Rel. Des. Roberto Expedito da Cunha Madrid - J. 08.04.1998).


16. Buscam os Autores a declaração da inexigibilidade de Titulo extra judicial, no tocante ao prazo para execução, ( 06 meses) bem como seja oponível as cessões de crédito realizada entre o Banco do Estado do Paraná S/a, e a Requerida, relativo ao Instrumento Particular de Confissão, Composição de Dívida, Forma de Pagamento e Outras Avenças e Anexo 1.865.274-4 com base no artigo 1.069 do Código Civil Brasileiro.


17. Para elucidar, junta-se ao petitório os contratos primitivos com o Banco do Estado do Paraná S/ª. ( docs, 22- 23).

18. Navegando no mesmo sentido, os Autores estão sofrendo constrangimento ilegal junto aos órgãos de proteção ao crédito, inclusive junto ao SERASA, por constar em seus cadastros, apontamentos negativos no tocante á divida contraída com a Requerida, realizada através de cessão de créditos, sem quaisquer conhecimento, pela falta de notificação.


19. Ainda podemos asseverar que operou-se a prescrição do titulo para a execução, contra os Autores, face as notificações realizadas pelo Banco do Estado do Paraná S/A, em 17 de Dezembro de 1998, portanto não realizou-se a execução do titulo, dentro do prazo de (06) seis meses, portanto restando somente o direito ao crédito, que deverá ser exercido através de ação monitoria ou de cobrança.


20. Desta forma, operou-se o entendimento do artigo 618 I do CPC, in verbis:


Art. 618. É nula a execução:


I - se o título executivo não for líquido, certo e exigível (artigo 586);

21. EXECUÇÃO - NULIDADE - OPORTUNIDADE PARA ARGÜIÇÃO - ARTIGO 618 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL - Pode ser alegada a nulidade da execução em qualquer tempo, até mesmo fora da oportunidade dos embargos. (TJSP - AC 147.217-4 - São Paulo - 6ª CDPriv. - Rel. Des. Ernani de Paiva - J. 06.04.2000 - v.u.)

DIREITO PROCESSUAL CIVIL - PROCESSO CIVIL - PROTESTO - SUSTAÇÃO - REQUISITOS - Prestada a contracautela e sendo ponderáveis os argumentos trazidos pela parte contrária no sentido da inexigibilidade do título objeto do protesto, evidente que lícito ao magistrado sustar os efeitos do indigitado ato. Agravo regimental não provido. Unânime. (TJDF - AGI 20000020009449 - 1ª T.Cív. - Rel. Des

23. Os nomes de dados dos Autores, constam nos órgãos de proteção ao crédito ( SERASA), constrangendo seus direitos constitucionais, com abalo moral e comercial, sem sentença transitada em julgado, trazendo assim alem danos de difícil reparação, conforme a jurisprudência:

DANO MORAL - CADASTRAMENTO INDEVIDO JUNTO AO SERVIÇO DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO E CADASTRO DE EMITENTES DE CHEQUE SEM FUNDOS DO BANCO CENTRAL - REDUÇÃO DA CONDENAÇÃO - POSSIBILIDADE - RECURSO PROVIDO EM PARTE - A sensação de ser visto como "mau pagador", quando não se é, constitui violação do patrimônio ideal que é a imagem idônea, a dignidade do nome, a virtude de ser honesto. O dano simplesmente moral, sem repercussão no patrimônio, não há como ser provado. Ele existe tão somente pela ofensa e dela é presumido, sendo o bastante para justificar a indenização. Não há parâmetros legais versando sobre a determinação do valor de danos morais. Daí caber, ao juiz, fixá-lo sob seu prudente arbítrio. Caso em que, visando a prolação de decisões coerentes, é interessante, ao aplicador da lei, dispor de solução prática capaz de encaminhar a valores específicos e, sem descuidar em que o ressarcimento, não sendo irrisório, não se transforme, por outro lado, em avantajamento para o ofendido. É suficiente o ressarcimento equivalente a 20(vinte) salários mínimos, quando decorrente de indevida inscrição do nome de cliente nos órgãos de restrição ao crédito. (TAMG - Ap 0304118-9 - (31454) - 7ª C.Cív. - Rel. Juiz Lauro Bracarense - J.


- AÇÃO REVISIONAL DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS, CUMULADA COM REPETIÇÃO DE INDÉBITO E ANTECIPAÇÃO DE TUTELA - PEDIDO PARA QUE NÃO SEJA ENCAMINHADO A PROTESTO QUALQUER TÍTULO FUNDADO NO CONTRATO - IMPOSSIBILIDADE - EXCLUSÃO DO NOME DO AGRAVANTE DOS CADASTROS DOS ÓRGÃOS DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO - NECESSIDADE - PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS - RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. I - A restrição de crédito impõe abalo a idoneidade da parte enquanto pendente decisão judicial, portanto abusiva. Em se tratando de um órgão não governamental, que tem por finalidade exclusiva a comunicação a terceiros sem controle e prévia autorização de possíveis inadimplementos judiciais, os quais e, no caso, ainda sem trânsito em julgado, não vejo o amparo legal para a referida inclusão. (TAPR - AI 152453600 - (13168) - Curitiba - 3ª C.Cív. - Rel. Juiz Lídio J. R. de Macedo - DJPR 09.06.2000)

AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS MORAL E MATERIAL - COMUNICAÇÃO ERRÔNEA AO SPC, POR PARTE DE INSTITUIÇÃO BANCÁRIA - ABALO DE CRÉDITO DE PESSOA FÍSICA E JURÍDICA - DANOS EMERGENTES E LUCROS CESSANTES - CC, ART. 159 - Se a primeira apelada, sócia da segunda, teve seu nome registrado no SPC, por ato indevido do apelante, sofrendo abalo de crédito e prejuízos que atingiram a própria pessoa jurídica, da qual aquela é sócia, a nominada ação de reparação de danos moral e material havia que ser julgada procedente in totum. CC, art. 1.547, § único. Constituindo-se o chamado abalo de crédito em dano não patrimonial, mas com reflexos patrimoniais, tal como ficou demonstrado nos autos, o que, para muitos, constitui a única alternativa de ressarcimento do dano moral, como expõe, magistralmente, o nosso JOÃO CASILLO (Dano à pessoa e sua indenização, Editora Revista dos Tribunais, p. 38 e ss.), não há que se apontar a impossibilidade de sua composição. (TJPR - AC 1.164/88 - 3º C. - Rel. Des. Renato Pedroso - J. 11.10.88) (RJ 137/72).

24. Desta forma, não tendo outro meio suasório, buscam os Autores a aplicabilidade da Tutela Antecipatória, no escopo de retirar seus nomes da listra negra do SERASA, e outros órgãos análogos, face os mesmos não terem quaisquer negócio jurídico com a primeira Requerida, e face a inexistência de sentença transitada em julgado, com base no artigo 273 I e II do Código de Processo Civil, in verbis:

Art. 273. O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar, total ou parcialmente, os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial, desde que, existindo prova inequívoca, se convença da verossimilhança da alegação e:


I - haja fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação; ou
II - fique caracterizado o abuso de direito de defesa ou o manifesto propósito protelatório do réu.


AUTORES & CONSUMIDORES


25.O Código de Defesa do consumidor, dispõe no art. 3 que fornecedor de produtos e serviços " é toda pessoa física ou jurídica, publica ou privada. Nacional ou estrangeira, bem como os antes despersonalizados, que devolvem atividades de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços"

26. Realmente, previsões assaz confortáveis para a Instituição financeira. Mas que, evidentemente, estão longe de observar o equilíbrio contratual, de modo a caracterizar uma das partes como a mais fraca por ter de se submeter às exigências absurdas da outra( Banco). Clausulas iníquas,leoninas e por conseguinte nulas.

27.O Ordenamento jurídico, com efeito, não pode coonestar tal iniquidade.

28. O principio veda o desequilíbrio contratual, foi acolhido pelo Código Comercial, em seu artigo 131 e também pelo Código de proteção ao consumidor, estatuto moderno, por todos elogiado, que leva em linha de conta o equilíbrio entre as partes que se deve preservar em todo o contrato.


29.Vejam os seguintes dispositivos no Código de Defesa do Consumidor: arts. 47 e 51, IV XV, 1, II III.

30.Trata-se, na verdade, de principio geral, que proíbe uma das partes contratantes de impor a outra todos os gastos ou ônus excessivos, invocando para si apenas vantagens.

31.Além de impor ônus excessivos e causar lesão ao patrimônio do mutuário, o agente financeiro incorre na figura jurídica do enriquecimento ilícito, ou sem causa.
32.CARVALHO SANTOS, assinala os quatro requisitos essenciais para se verificar o enriquecimento sem causa:


a) o locupletamento;
b) o empobrecimento correlativo da outra parte;
c) a falta de justa causa;
d) relação causalidade entre enriquecimento e o emprobrecimento,
( CODIGO CIVIL BRASILEIRO INTERPRETADO", VOLXII LIVRARIA BASTOS, 1963, PÁG. 383).

DO PEDIDO PRELIMINAR


a) Requer-se que seja deferida a Tutela Antecipatória, liminarmente, "Inaudita autera Pars" fase a verossimilhança das alegações para o escopo de oficializar o SERASA , para que retire de seus cadastros os apontamentos realizados pela Requerida e pelo Banestado S/A, ( mesmo negócio jurídico), em desfavor dos Autores, ( CGC/MF sob o nr. 95.377.057/001-10 e CPF/MF sob os nr.456.829.099-68 e 019.909.589-23);

DO PEDIDO

a) Requer a citação dos Requeridos na pessoa de seu representantes legal (Via postal)) para a Comarca de São Paulo, e Curitiba, no endereço constante na exordial; para contestar no prazo legal;
b) Requer a procedência da ação para declarar a inexigibilidade do Titulo Extra Judicial ( Cessão de Crédito), no tocante a não validade da cessão dos créditos, realizada entre o Requerido e o Banco Banestado S/a, face a inexistência de notificação dos Autores, conforme determina o artigo 1.069 do Código Civil Brasileiro, bem como pelo prazo prescricional de (06 seis meses) para interpor a Ação executiva.

c) Requer a condenação das Requeridas em custas processuais e honorários advocatícios;

e) Requer toda a produção em prova admitida, inclusive a pericial, testemunhal e documental se necessário for, com inversão do ônus da prova, conforme o artigo 6 VIII do Código do Consumidor;

Dá-se ao valor da Ação de R$ 1.000,00 ( Mil Reais), para efeitos fiscais.

Nestes Termos,
Pede-se Deferimento.

Curitiba, de Agosto de 2.001.

Samuel de Souza Rodrigues
OAB/PR 4.819

Antônio José da Luz Amaral Filho
OAB/PR 3.217

Por SAMUEL DE SOUZA RODRIGUES E MARCOS AURELIO DAVILA


Comentários

  • ronilson moraes
    20/02/2013 21:27:46

    e isso ai

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